O silêncio também faz parte da clínica
Existe uma expectativa, principalmente entre profissionais iniciantes, de que uma boa sessão seja aquela em que o paciente fala durante todo o tempo. Mas o silêncio também pode fazer parte do processo.
O paciente pode ficar em silêncio porque está pensando. Porque não sabe como continuar. Porque determinado conteúdo provoca angústia. Porque está esperando algo do profissional. Ou simplesmente porque naquele momento não encontra palavras.
Diante do silêncio, o profissional pode sentir ansiedade: “Preciso falar alguma coisa.” “Preciso fazer outra pergunta.” “Preciso salvar a sessão.”
Mas nem todo silêncio precisa ser imediatamente preenchido. O profissional também precisa aprender a sustentar determinados momentos sem transformar o desconforto em intervenção automática.
É importante não cair em interpretações rígidas. Silêncio não significa necessariamente resistência. Também não significa necessariamente sofrimento. O significado depende do sujeito, do momento clínico e da relação construída.
Uma boa pergunta para levar à supervisão é: “O que aconteceu comigo quando o paciente ficou em silêncio?” Às vezes, essa pergunta revela tanto sobre a sessão quanto a própria descrição do silêncio.
PSIFLUIR PROFISSIONAL: Nem todo silêncio pede uma pergunta. Alguns pedem presença, escuta e tempo.