Primeira Pesquisa Nacional de Saúde Mental entra em campo
O Brasil está realizando, pela primeira vez, uma Pesquisa Nacional de Saúde Mental (PNSM-Brasil) destinada a produzir um retrato nacional da saúde mental da população adulta.
Segundo o Ministério da Saúde, a pesquisa já alcançou 197 municípios de 26 unidades federativas, com 619 setores censitários visitados. Até 28 de agosto, haviam sido realizadas 1.011 entrevistas completas. O desenho prevê aproximadamente 10 mil entrevistas válidas, envolvendo 16.260 domicílios.
O levantamento é coordenado pelo Ministério da Saúde, em parceria com a Universidade Federal do Espírito Santo.
O que está sendo investigado?
Não se trata simplesmente de perguntar quantas pessoas têm depressão ou ansiedade.
A pesquisa pretende relacionar:
- transtornos mentais;
- sofrimento psíquico;
- condições econômicas;
- desigualdade social;
- experiências de violência;
- acontecimentos traumáticos;
- vulnerabilidades;
- acesso aos serviços;
- barreiras para procurar tratamento;
- organização do cuidado.
Isso é particularmente importante porque desloca a discussão da pergunta:
“Qual transtorno essa pessoa tem?”
para uma questão muito mais ampla:
“Em que condições essa pessoa está vivendo?”
O Ministério da Saúde afirma que os dados poderão subsidiar o planejamento da Rede de Atenção Psicossocial e servir como linha de base para acompanhar indicadores nacionais ao longo do tempo.
Por que essa pesquisa é histórica?
Durante muito tempo, o Brasil precisou trabalhar com dados fragmentados.
Pesquisas epidemiológicas, registros de serviços, estudos acadêmicos e levantamentos regionais fornecem partes do cenário.
Agora o país tenta construir uma fotografia nacional integrada.
Isso permitirá investigar uma questão fundamental:
Quanto sofrimento psicológico existe no Brasil que nunca chega aos serviços de saúde?
Esse talvez seja um dos dados mais importantes que a pesquisa poderá revelar.
O problema invisível
Uma pessoa pode:
- sofrer durante anos;
- apresentar insônia;
- perder produtividade;
- abandonar atividades;
- desenvolver sintomas físicos;
- consumir álcool ou outras substâncias;
- viver conflitos familiares;
- apresentar ansiedade ou depressão;
e nunca receber um diagnóstico.
Portanto, demanda clínica não é sinônimo de prevalência real de sofrimento psíquico.
Para psicólogos e psicanalistas
Os resultados futuros poderão provocar uma discussão ainda maior sobre o papel do profissional de saúde mental.
Não basta pensar somente no indivíduo.
É necessário compreender:
sujeito + família + trabalho + território + economia + cultura + relações sociais.
Esse é um dos grandes movimentos contemporâneos da saúde mental.