Conhecer a si mesmo também significa olhar para aquilo que preferimos não enxergar
Quando falamos em autoconhecimento, geralmente pensamos em descobrir nossos talentos, qualidades, objetivos e preferências.
Mas existe uma parte menos confortável desse processo.
Conhecer a si mesmo também envolve reconhecer nossas inseguranças, contradições, medos, limites e padrões de comportamento.
O autoconhecimento vai além de um teste de personalidade
Saber se somos introvertidos ou extrovertidos pode ser interessante.
Identificar nossas preferências também.
Mas autoconhecimento envolve algo mais profundo: perceber como funcionamos emocionalmente diante das experiências da vida.
Como reagimos quando somos contrariados? Como lidamos com rejeição? Temos dificuldade de pedir ajuda? Precisamos constantemente da aprovação dos outros? Fugimos de conflitos? Tentamos controlar tudo?
Nem sempre gostamos do que descobrimos
Às vezes, olhar para si significa perceber características que não gostaríamos de reconhecer.
Podemos descobrir que somos excessivamente críticos, que temos dificuldade de estabelecer limites ou que permanecemos em situações por medo de ficar sozinhos.
Isso não significa que devemos nos culpar.
O objetivo do autoconhecimento não é criar uma lista de defeitos.
É aumentar a consciência sobre nós mesmos.
Consciência abre possibilidades
Quando não percebemos determinado padrão, ele tende a acontecer de maneira automática.
Quando começamos a reconhecê-lo, surge uma possibilidade diferente: escolher como queremos agir.
Por exemplo, uma pessoa que percebe sua dificuldade em dizer “não” pode começar a observar o que sente quando precisa estabelecer um limite.
Talvez apareça culpa. Talvez medo de decepcionar. Talvez receio de ser rejeitada.
Essa compreensão permite investigar o significado daquela reação.
Autoconhecimento também envolve responsabilidade
Conhecer a própria história não significa justificar todos os comportamentos.
Podemos compreender por que desenvolvemos determinado padrão e, ao mesmo tempo, assumir responsabilidade pelas mudanças que desejamos construir.
O passado ajuda a explicar.
Mas não precisa determinar todas as nossas escolhas futuras.
Um processo, não um destino
Não existe um momento em que alguém possa afirmar: “Agora eu me conheço completamente.”
Somos atravessados por novas experiências ao longo da vida.
Por isso, o autoconhecimento é um processo contínuo.
Conhecer a si mesmo é aprender a escutar aquilo que existe dentro de nós, inclusive aquilo que durante muito tempo tentamos evitar.